sábado, 10 de fevereiro de 2018

Eric Gales continua com tudo



Nas "andanças" pelo Spotfy e pelas listas de melhores artistas do ano, constatei que Eric Gales continua sendo um nome relevante na história do Blues recente.

Seu último e excelente disco, Middle of the Road (2017), não me deixa mentir: além de estar presente em diversas listas de "melhores do ano", o disco ainda consegue expressar a capacidade de Eric Gales em atender a pesadíssima responsabilidade de ser um dos maiores porta-vozes e representantes do Blues de Memphis atualmente.

Família


Nascido em um ambiente musical, Eric Gales, desde os 13 anos, já tocava com seus irmãos, Manuel Gales (ou Little Jimmy King), Daniel Gales e Eugene Gales - quando eram conhecidos como Gales Brothers.

Para as influências secundárias de Eric Gales podemos citar Jimmy Hendrix, Cream, Stevie Ray Vaughan, Albert King, Led Zeppelin e Z.Z. Top. Um saudável mix de Rock e Blues.

Essa primazia familiar constuiu uma característica bem própria do guitarrista, sendo elogiado por gente do nível de Carlos Santana, Joe Bonamassa, Mick Jagger, Keith Richards, B.B. King e Eric Clapton. Eric não toca apenas o Blues de Memphis, mas o Blues dos "Gales". E é isso que o torna um músico tão único e notável.

O que ouvir pra começar


Recentemente, fiz uma playlist com todos os discos de Eric Gales disponíveis no Spotfy, desde o primeiro, The Eric Gales Band de 1991, até o supracitado Middle of the Road de 2017.

Segue a playlist:



É difícil elencar os melhores discos, já que todos, além de ter uma qualidade altíssima e são igualmente muito bons, mas queria destacar o primeiro disco de 1991, Crystal Vision de 2006, The Story of My Life de 2008, Pinnick Gales Pridgen de 2013, Good for Sumthin' de 2014 e, o meu preferido de todos, a Night on the Sunset Strip  de 2016, sem dúvidas um dos melhores discos ao vivo de Blues dos últimos anos.



sábado, 29 de abril de 2017

Relato de campo: o dueto Street Blues de São Paulo



Dois integrantes. Apenas dois é o suficiente para apresentar um Blues consistente.

Street Blues é um dueto formado pelo guitarrista e vocalista Rodrigo Battello e o gaitista e baterista Leandro "Street Blues" (que toca os dois instrumentos ao mesmo tempo).

O dueto se apresentou hoje, dia 29/04/2017, no SESC Campinas e apresentou clássicos do Blues, Ragtime e Country com músicas de John Lee Hooker, Johnny Cash e Muddy Waters - quase uma homenagem à música popular norte-americana. Apesar dos equipamentos de som do SESC não ser dos melhores (a guitarra estava muito baixa) - deu pra perceber que a dupla consegue fazer um som ao mesmo tempo minimalista e encorpado.

Pra quem quiser conhecer mais da banda:

https://www.facebook.com/street.blues/
https://www.youtube.com/channel/UCoNcRpb5ERK9o657tqAUd5A


Contato para shows: (11) 2059-9020 / (11) 95052.6254
Email: leandro.streetblues@gmail.com

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Milestones (1958) - Miles Davis


Milestones é considerado um disco preparatório para o revolucionário Kind of Blue (1959) e, junto com este, tido como um disco basilar para tanto para o desenvolvimento do Jazz, quanto para sintetizar o estilo nos anos 50.
É quase imperativo que você escute um e outro em sequência, pois ambos formam um par. A música Milestones (ou Miles, nas primeiras versões desse disco), desse disco, é a primeira incursão de Miles Davis nas experimentações de Jazz Modal - que seriam desenvolvidas e sacralizadas em Kind of Blue.

As comparações com Kind of Blue são inevitáveis, tanto por apresentar Miles numa mesma linha de composição - quanto por enfatizar a presença de John Coltrane no grupo.
No entanto, não ache que este disco vive a sombra de Kind of Blue. Geralmente, as pessoas que escutaram Kind of Blue primeiro e, depois, perseguem este disco, notam uma outra atmosfera ainda nesse mesmo universo. Milestones é muito mais enérgico que Kind of Blue. O disco é uma mistura de Blues, Bebop, Post-Bop e uma linha de Jazz Modal - permeada por um swing bastante agressivo.


O sexteto desse disco é composto por Miles Davis, que toca trompete e piano na música Sid's Ahead, Julian Adderley (Cannonball) que toca saxofone alto, John Coltrane, como mencionado, no saxofone tenor, Red Garland no piano, Paul Chambers no contrabaixo (nesse disco ele varia entre o pizzicato e o arco) e, finalmente, Philly Joe Jones.

Sid's Ahead e lado de Milestones são as únicas músicas compostas por Miles Davis no disco.

A primeira música é um bepop acelerado Dr. Jackle (ou Dr. Jekyll) - composição do saxofonista Jackie McLean) - evidenciando desde já a capacidade técnica de Miles Davis e seu time.
Two Bass Hit, última música do "lado A", é uma composição de John Lewis e Dizzy Gillespie).
Billy Boy é uma composição do pianista Ahmad Jamal e Straight, No Chaser é uma composição do pianista Thelonious Monk; Red Garland os homenageia com bastante desenvoltura.



sábado, 8 de abril de 2017

Brilliant Corners (1957) - Thelonious Monk



Terceiro trabalho de Thelonious Monk na Riverside Records e o primeiro, neste selo, a ter suas próprias músicas.
Considerada uma obra-prima de Monk e um dos discos mais importantes do Jazz, sendo crucial no desenvolvimento do Jazz moderno, Brilliant Corners um pouco difícil nas primeiras ouvidas, mas que se torna completamente viciante depois de um tempo.

O disco foi gravado em três sessões de 1956 com dois diferentes quintetos.

Ba-lue Bolivar Ba-lues-Are e Pannonica, que Monk toca uma celesta, foi gravada em nove de outubro com os saxofonistas Ernie Henry e Sonny Rollins, o baixista Oscar Pettiford, e o baterista Max Roach.

As outras faixas Paul Chambers estava no baixo e o trompetista Clark Terry entra no lugar do saxofonista Ernie Henry.

Se você não conhece bem Thelonious Monk, não recomendo este disco. Se acostume com o pianista pegando algumas compilações como "Genius of Modern Music" da Blue Note e The Unique Thelonious Monk - que são discos repletos de standards.

A música que abre o disco é uma das composições mais difíceis do Jazz. Para gravá-la foi necessária uma dúzia de takes e a versão final do disco foi editada com três deles.

Algumas dessas sessões duravam 4 horas. Isso causava tensão entre ele e o saxofonista Enrie Henry e o baixista Oscar Pettiford.

Se você conseguir passar dessa música excepcional, já se considere um "iniciado" em Thelonious Monk.

Caso contrário, tente as próximas faixas. Ba-lue Bolivar Ba-lues-are, segunda faixa do disco, é uma belíssima e relaxante improvisação de 13 minutos, repleta de groove.

A próxima música, a balada Pannonica, é impossível não gostar. Uma música encantadora onde Monk toca celesta.
Ela é dedicada a "Baronesa do Jazz", Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter. Uma mulher da família Rothschild que largou tudo para virar patrona de muitos músicos proeminentes de Jazz como Monk (o qual tinha uma verdadeira adoração), Charlie Parker, Mary Lou Williams e outros.


Aliás, Ba-lue Bolivar Ba-lues-are - o título da segunda música do disco - é uma brincadeira em cima da pronúncia exagerada de Monk ao falar Blue Bolivar Blues, referente aos gracejos que Pannonica fazia dele. Refere-se, aqui, ao hotel Bolivar, onde a baronesa do Jazz residia.

I Surrender, Dear é um standard de jazz - a única faixa desse disco que não foi composta por Monk, mas por Harry Barris - um rapaz branco de nova-iorque, da primeira safra do Jazz (sim, a primeira safra do Jazz era repleta de brancos).

Bemsha Swing é uma composição de Monk e Denzil Best que lembra as big bands. Excelente faixa.


quinta-feira, 30 de março de 2017

On the Corner (1972) - Miles Davis


Gravado em 1972, ainda seguindo a linha do Fusion que Miles Davis começou a se aventurar no final dos anos 60 em discos como Bitches Brew e Jack Johnson.
A concepção desse disco veio da tentativa de Miles Davis resgatar os jovens afro-americano que estavam abandonando o Jazz e se afeiçoando ao groove mais dançante, mais pulsante e mais sexual do Funk. Convenhamos, era impossível Miles Davis, um músico da velha guarda negra norte-americana, competir com Sly and the Family Stone e James Brown, pelo menos no paladar dos jovens.

On the Corner foi acusado de comercial por tentar se aproximar dessa nova geração. E foi mesmo um disco comercial - e também o melhor disco da história, na minha opinião.

Trata-se de um disco que é ao mesmo tempo Jazz e Funk, uma mistura dialética das duas coisas gerando uma terceira, uma síntese, que acaba não sendo uma coisa nem outra, mas algo coeso e incrivelmente interessante,

O número de músicos talentosos presente nesse disco é simplesmente insuperável. Temos Miles Davis no trompete elétrico, Dave Liebman no saxofone soprano, Carlos Garnett no saxofone soprano e no saxofone tenor, Chick Correa no piano elétrico, Herbie Hancock no piano elétrico e no sintetizador, David Creamer e John McLaughlin nas guitarras, Michael Henderson no baixo elétrico, Collin Walcot e Khail Balakrishna na cítara elétrica, Bennie Maupin no clarinete baixo, Badal Roy na tabla, Jack DeJohnette na bateria, Jabali Billy Hart na bateria e nos bongos, James "Mtume" Foreman e Don Alias na percussão, Paul Buckmaster no violoncelo e outros arranjos e Robert Honablue como engenheiro de som.

A complexidade desse disco não é apenas demonstrada na ostentação dos seus integrantes.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Genius of Modern Music: Volume 1 & 2 - Thelonious Monk

Compilação das principais composições de Thelonious Monk em sua época na Blue Note.
Esses discos foram lançado pela primeira vez em 1951 e 1982, com poucas músicas, depois em 1956, acrescentando mais algumas, depois em 1989 e outra vez em 2001.
Tomarei aqui a versão dessa compilação feita em 1989 (não se preocupem, a de 2001 é a mesma de 1989, apenas com a ordem das faixas trocadas).



Disco 1

As seis primeiras faixas do disco são executadas por Quebec West (saxofone alto), Idress Sulieman (trompete), Thelonious Monk (piano), Art Blakey (bateria) e Gene Ramey (baixo): Humpf, Evonce, Evonce (take alternativo), Suburban Eyes, Suburban Eyes  (take alternativo) e Thelonious.
Com exceção da última música, que é praticamente Monk executando uma performance solo enquanto os outros músicos apenas o acompanham, todas as outras combinam tanto performances de piano quanto combinações e duelos entre instrumentos de sopro (Quebec e Idress), acompanhados pela cozinha Blakey-Ramey. O grande destaque dessa primeira parte do disco é, sem dúvida, Humpf, a música de abertura do disco.

As 10 faixas seguintes, Nice Work if You Get, Nice Work if You Get (take alternativo), Ruby My Dear, Ruby My Dear (take alternativo), Well You Don't Needn't, Well You Don't Needn't (take alternativo), April in Paris, April in Paris (take alternativo), Off Minor e Introspection são executadas apenas por Monk e acompanhada pela bateria de Blakey.

Enquanto nas primeiras faixas vemos Monk apenas como mais uma peça das músicas executadas, aqui ele é o condutor principal de tudo.

A última parte do disco são executadas por Blakey, Monk, George Taitt (trompete), Sahid Shinab (saxofone alto) e Bob Paige (baixo). Começamos ouvir aqui algumas das peças mais bonitas compostas por Monk: In Walked Bud, a lindíssima Monk's Mood, a histórica 'Round Midnight e duas versões de Who Knows.



Disco 2

Enquanto o primeiro disco era um compilado de músicas de Monk que foram executadas com uma configuração instrumental composta basicamente de bateria, piano, baixo, trompete e saxofone alto - neste disco é o inserido vibrafone, na primeira parte do disco, e sax tenor na segunda parte do disco.

As noves primeiras faixas desse segundo disco, Four in One, Four in One (take alternativo), Criss Cross, Criss Cross (take alternativo), Eronel, Straight No Chaser, Ask Me Now, Ask Me Now (take alternativo) e Willow Weep For Me, temos Blakey (bateria), Monk (piano), Sahib Shihab (saxofone alto), Al MicKibbon (baixo) e Milt Jackson (vibrafone).

As faixas seguintes, Skippy, Skippy (take alternativo), Hornin'In, Hornin'In (take alternativo), Sixteen (primeiro take), Sixteen (segundo take), Carolina Moon, Let's Cool One e I'll Follow You são executadas por Max Roach na bateria, Nelson Boyd no baixo, Lucky Thompson no sax tenor, Lou Donaldson no sax alto, Kenny Dorham no trompete e Monk no piano.

No primeiro disco as músicas são mais conhecidas e icônicas, no segundo disco, as partes mais interessantes são aquelas que combinam combinam sax, piano e vibrafone.

Da sétima a décima sexta faixa do primeiro disco temos Monk em seu estado puro (acompanhado por Blakey), em todo o resto, temos a noção da sua capacidade de se colocar como instrumentista integrante de grupos com diversas configurações instrumentais.

O erro deste compilado, que é pra mim um erro dos compilados de Jazz em geral, é o exagero de faixas alternativas ao longo da execução, que acabam sobrecarregando os discos desnecessariamente com músicas que variam muito pouco. Mas esse é um problema muito simples de resolver, apenas pulando as faixas "repetidas".

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Koko Taylor (1969) - Koko Taylor


Este disco é uma reedição de seu segundo álbum de estréia em 1969, lançado pela MCA/Cheers e produzido por ninguém menos que Willie Dixon, entitulado apenas "Koko Taylor" (o primeiro chama-se "Love You Like a Woman", lançado em 1968 pela Charly Records).

Ele conta com músicas gravadas ao longo de 4 anos de sua carreira (que já existia bem antes disso), de 1965 a 1969 (data do lançamento) - incluindo todo disco anterior (tornando-o dispensável pra quem quer conhecer sua carreira - sendo apenas peça de colecionador).

O disco conta com outros grandes nomes do Blues de Chicago como Sunnyland Slim, Buddy Guy, Johnny Shines, Walter Horton e, óbvio, o mestre Willie Dixon - fazendo ele mesmo as linhas de baixo e cantando em duetos excelentes com Koko Taylor (especialmente na a música "Insane Asylum").

Koko Taylor é uma cantora de extrema personalidade, talvez a "voz rasgada" mais marcante do estilo. Embora ela exagere um pouco no começo da carreira, se tornando previsível e um pouco repetitiva nas performances vocais, coisa que ela aprimora bastante ao longo da sua carreira.

Escute o disco abaixo: 

domingo, 29 de janeiro de 2017

Thelonious Monk - After Hours At Minton's (2002)

After Hours At Minton's é um disco lançado em 2002 com 12 peças musicais gravadas ao vivo em 1941 no famoso Minton's Playhouse, clube de Jazz histórico localizado no Harlem.

No disco, temos Thelonious Monk tocando junto com Kenny Clark, que fazia apresentações regulares no lugar, "co-anfitriando" as sessões instrumentais tal como marcava presença no lugar.

Além dele temos Herbie Fields, Joe Guy, Roy Eldridge e muitos outros.

O que me agrada nesse CD, além das músicas e o seu valor como registro histórico, é o clima que ele reproduz. Se você tiver um som bom, vai ouvir ao fundo conversas, risadas e tilintar de talheres e copos - criando uma atmosfera totalmente imersiva. Pode parecer bobagem, mas esses "ruídos" me agradam bastante - o disco, pra mim, se torna tanto uma homenagem à Monk quanto ao Minton's Playhouse.


domingo, 22 de janeiro de 2017

Rory Gallagher - Live in Europe (1972)


Terceiro disco do Rory Gallagher. Trata-se de shows ao vivo gravados entre 5 Fevereiro e 5 de Março de 1972 na Inglaterra, Itália e Alemanha.
O disco contém apenas 2 músicas suas que foram gravadas em albuns anteriores, Laundromat e In Your Town, uma do primeiro e a outra do segundo disco respectivamente. O resto é totalmente composto por canções tradicionais do Blues como Messin' With the Kid de Junior Well's, Pistol Slapper Blues de Blind Boy Fuller e readaptações de canções tradicionais do Blues com arranjos e letras que Rory dedica aos "diretores espirituais" de sua carreira musical. Temos, por exemplo, I Could've Had Religion saudando Robert Wikins e Gary Davis.

Live in Europe não é apenas um disco de Blues, é um disco de homenagem ao Blues - uma carta de amor ao estilo.

Para entender esse disco é necessário entender o contexto da onda British Blues Boom, a onda do "Blues Branco, Inglês e de olhos Azuis" - a melhor "apropriação cultural" que já houve na história da música popular, que pegou o Blues de Chicago de Muddy Waters e o transformou em The Rolling Stones, Eric Clapton, Fleetwood Mac, Yardbirds, Cream e Led Zeppelin.

Rory fazia parte desse movimento e quis nesse disco prestar seu tributo. Os grandes destaques do disco são "I Could've Had Religion", já mencionada acima, Pistol Slapper Blues e Going to My Hometown, duas músicas que ele toca com Bandolim, In Your Town, uma música sua lançada no segundo disco (Deuce) e Bullfrog Blues.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Baden Powell - Poema On Guitar (1968)


Poema on Guitar é o segundo trabalho de Baden Powell pela gravadora alemã Saba e uma espécie de continuação temática do disco anterior, Tristeza on Guitar.
Apesar de ainda termos o dedo do produtor Joachim-Ernst Berendt, a banda que o acompanha está totalmente diferente. Além de Baden Powell no violão, temos Sidney Smith na flauta, Edhard Weber no baixo e Charly Antolini na bateria.

Enquanto no disco anterior tinhamos uma banda composta apenas de brasileiros, nesse temos uma variedade de nacionalidades maior. Temos aqui um brasileiro, um inglês, um alemão e um suíço. Parece até que estou prestes a contar uma piada.

Seja como for, apesar de ainda ser muito bom, é um disco muito mais modesto que o anterior. Destaque para primeira música, "Feitinha pro Poeta".



Baden Powell - Tristeza On Guitar (1966)


Disco lançado em 1966 pelo selo alemão Saba com colaboração do jornalista, escritor e produtor espcializado em Jazz Joachim-Ernst Berendt.

Trata-se de um dos discos responsáveis por consolidar a carreira de Baden Powell na Europa.
Temos Baden Powell no violão, agogô e surdo, Copinha na flauta, Sergio Barroso no baixo, Alfredo Bessa no atabaque e cuíca, Amauri Coelho no pandeiro e atabaque e Milton Banana na bateria.
Uma obra fascinante com 10 músicas incríveis, incluindo uma versão de 'Round About Midnight de Thelonious Monk.

Baden Powell combina Samba Tradicional com Jazz sem transformar isso em "Bossa", e ainda insere elementos de música erudita à-la Bach (bastante perceptível em Invencão Em 7½) de uma forma graciosa, fluida, sentimental e lógica. Servindo muito bem para mostrar um microcosmo sonoro da prolífica carreira de Baden como violonista e arranjador.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Emergency! (1969) - The Tony Williams Lifetime


Emergency! é um disco duplo do power-trio The Tony Williams Lifetime, composto por John McLaughlin nas guitarras, Tony Williams na bateria e vocal e Larry Young no órgão.

O disco foi lançado em 1969 pela Polydor Records e Polygram Records e é considerado um dos primeiros do Jazz Fusion.

Emergency! é um dos mais influentes, originais, prolixos e significativos discos da história, trabalhando com uma ampla gama de gêneros como Funk, Rock Psicodélico, Hard Bop, Blues e Free Jazz.

 Em uma crítica contemporânea para a The Village Voice, Robert Christgau saudou Williams como "provavelmente o melhor baterista do mundo".

O disco foi mais tarde reeditado em CD pela Verve Records e Polygram em 1997.

De acordo com J.D. Considine na The Rolling Stone Album Guide (1992), o Jazz Fusion nasceu em Emergency! onde John McLaughlin foi o primeiro a combinar Jazz e Rock.

Em um review retrospectivo feita para AllMusic, Leo Stanley disse que esse disco "quebrou as fronteiras entre Jazz e Rock" com suas "paisagens sonoras densas, aventureiras e imprevisíveis".

O disco tem um peso histórico e é essencial para quem gosta tanto de Rock quanto de Jazz. Segue o disco para ouvir:

sábado, 31 de dezembro de 2016

Extrapolation (1969) - John McLaughlin


Extrapolation é o primeiro disco do renomado guitarrista de Jazz John McLaughlin.
Gravado na Advision Studios em Londres em 18 de Janeiro de 1969 e lançado primeiramente pela Marmelade Records e posteriormente pela Polydor Records nos EUA, trata-se de um trabalho primoroso que mistura livremente elementos de Jazz-Rock e Blues.
Além de John McLaughlin na guitarra temos Brian Odgers no baixo, Tony Oxley na bateria e, o grande destaque do disco (mais do que o próprio John McLaughlin), John Surman no saxofone. Com solos impressionantes e belas demonstrações de virtuosismo, John Surman se sobressai de uma forma inacreditável, fazendo com que a quase inigualável qualidade do disco seja tanto por causa dele quanto pelo próprio John McLaughlin.

Segue abaixo o disco completo:

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter - A baronesa do Jazz


O quão forte é o poder do Jazz pra fazer com que uma mulher deixe filhos, marido e uma das mais poderosas famílias do mundo (a Rothschild) para ir trás do compositor de uma música que ela ouviu em uma viagem?

Nascida em 1913 em Londres e a filha mais nova de Charles Rothschild e da baronesa Rozsika Edle von Wertheimstein, Kathleen é aristocrata por excelência. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela entrou para o Exército da França Livre, que no momento combatia os nazistas. Foi nessa época que ela conheceu seu marido e teve seus filhos.

Mas não foi nem a guerra, a sua família, o seu nome, o seu marido e nem mesmo seus filhos que marcaram sua vida, foi a música - uma única música. Round Midnight.


Muito se fala de paixão à primeira vista, mas esse é um caso peculiar de paixão à primeira ouvida.

Foi em uma viagem em Nova York que a baronesa de Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter, depois de ouvir um pianista chamado Teddy Wilson tocar a música Round Midnight de Thelonious Monk, resolve dedicar sua vida ao financiamento e à procura do homem que compôs aquilo. Uma única música foi suficiente para Kathleen se tornar, desde aquele dia, a baronesa do Jazz e a patrona do Bepop.

Sua dedicação começa com Thelonious Monk mas não se limita a ele. Ela foi patrona de muitos músicos proeminentes de Jazz como Charlie Parker, Mary Lou Williams e outros.

Seu legado foi deixado, não na aristocracia de sua família (o qual foi deserdada), mas na história da música.
Sao inúmeras composições feitas em sua homenagemm como Nica's Tempo de Gigi Gryce, Nica de Sonny Clark, Nica Dream de  Horace Silve, To Nica de Kenny Dorham's, Blues for Nica de Kenny Drew, Nica Steps Out de Freddie Redd, Inca de Barry Harri, Thelonica de Tommy Flanagan e, talvez a mais significativa, Pannonica de Thelonious Monk, lançado na sua obra-prima Brilliant Corners de 1957.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

The Unique Thelonious Monk (1956) - Thelonious Monk

The Unique Thelonious Monk é um disco de 1956 de Thelonious Monk, seu segundo trabalho com a Riverside Records e, assim como o antecessor (Thelonious Monk Plays Duke Ellingto, que era um disco de Monk tocando músicas de Duke Ellington), este é feito de standards. Trata-se de uma continuação da estratégia de marketing da Riverside Records em trazer ao consumidor o interesse por Thelonious Monk, já que sua música original era considerada "muito difícil" para o mercado de massa. Além de Monk, o disco conta com a presença de Art Blakey na bateria e Oscar Pettiford no baixo. Tanto "Thelonious Monk Plays Duke Ellington" quanto esse disco são feitos especialmente para você ir se ambientando ao estilo de Thelonious Monk. Não há uma única composição dele no disco mas há certamente sua impressão digital. Apesar do disco se propor a ficar numa "zona segura", com temas de fáceis "digestão" para o grande público, nem por isso temos um disco simplório. Já podemos ver a tremenda habilidade de Monk em músicas como Honeysuckle e também de Art Blakey em Liza. Oscar Pettiford, com excessão da música Just You, Just Me, mantém essas duas forças instrumentais de forma discreta porém eficiente. É um ótimo disco para você presentear uma pessoa que está querendo começar a ouvir Jazz. Nada muito cerebral, mas ainda sim excelente.

O disco inteiro pode ser ouvido aqui:


sábado, 21 de maio de 2016

Relato de campo: O som de Álvaro e Eric Assmar


Hoje, 21 de Maio de 2016, no SESC Campinas, houve uma excelente apresentação de Blues de Álvaro Assmar.
Com uma camisa de Johnny Winter e uma modesta mas fiel platéia, que não arredou o pé do lugar até terminar toda apresentação - com efusivos aplausos, fomos levados pelos caminhos do consagrado estilo norte-americano e a plena convicção de que no Brasil se faz Blues e Blues de qualidade.
A apresentação foi intimista, com ares caseiros reforçados por estar em palco não apenas amigos de longa data, mas uma família, no sentido literal da palavra. Álvaro Assmar dividiu o palco com seu filho caçula, Eric Assmar. A mistura e a diferença geracional fica evidente. Enquanto Álvaro Assmar toca de uma forma mais conservadora, evocando um estilo mais clássico, seu filho chutava o balde e fazia excelentes solos agressivos, enquanto contorcia seu rosto - puro feeling. Fiquem de olho nele.
O melhor de tudo era o sorriso de contentamento do pai orgulhoso com a cria, que já se transformara em legado musical.

Para conhecer o trabalho de Álvaro Assmar segue seu website oficial
http://www.alvaroassmar.com.br/

Vídeos

Blues À La Carte



Armadilha



Rota Suicída



Eric Assmar Trio

Seguindo um caminho próprio Eric Assmar fundou seu trio, Eric Assmar Trio, com uma proposta pra lá de nostálgica, reviver a onda dos Power Trios dos anos 60 e 70.
O som caminha entre o Jazz e o Blues, com um excelente trabalho de guitarra. O jovem guitarrista já ganhou troféu de "Melhor instrumentista" pelo Prêmio Caymmi de Música do ano passado (2015).

No Youtube a banda disponibilizou o disco completo Eric Assmar Trio:
https://www.youtube.com/watch?v=_4NvBGb2gWA

Site da banda
http://www.ericassmar.com.br/
Facebook
https://www.facebook.com/ericassmartrio








sábado, 7 de novembro de 2015

Litle Walter - Uma Lenda da Gaita

Little Walter

Nascido em Lousiana Marion Walter Jacobs, conhecido como Litle Walter, foi um importantíssimo gaitista de Blues.
No livro "Blues with a Feeling: The Little Walter Story", escrito pelo gaitista e crítico músical Tony Glover, por Scott Driks e por Ward Gaines, Little Walter é comparado a Jimmy Hendrix e Charlie Parker tanto pelo impacto que teve nas gerações sucessoras quanto seu estilo distintivo e inovador no instrumento, trazendo uma gaita totalmente distorcida.
Sua carreira musical começa aos 12 anos, quando ele sai da escola e a vida rural de Louisiana e viaja pela região de Nova Orleans, Memphis, Helena, Arkansas e St, Louis trabalhando como mascate e tocando nas ruas por moedas.
Além de tocar gaita Walter tocava guitarra e foi em Chicago, em 1945, que ele encontrou trabalho como guitarrista base da banda de Floyd Jones, um importante guitarrista da primeira geração de guitarristas de Chicago depois da Segunda Guerra Mundial.
No entanto, seu grande talento mesmo era na gaita.
O estilo peculiar de Walters nasce de uma superação de um frustração nessa experiência. Como se sentia inferiorizado por ter sua gaita abafada pelo som das guitarras elétricas ele adotou um método simples, mas pouco usado anteriormente, de segurar com as mãos em forma de concha um pequeno microfone junto com a gaita e plugou esse microfone em um amplificador de guitarra.

Se você ouvir Sad Hours vai ver que o som da gaita de Little Walter quase lembra uma guitarra elétrica:



Foi essa maneira que ele conseguiu competir com o volume de qualquer guitarrista.
Sonny Boy Williamson e Snooky Pryor também utilizavam isso na época mas foi Little Walter foi o primeiro a usar distorção elétrica de propósito e não apenas para aumentar o volume do instrumento.

Para conhecer mais essa lenda o excelente canal Jazz and Blues Experience postou recentemente uma coletânea de 45 minutos com 15 ótimas músicas. Vale a pena conferir e assinar o canal também.

sábado, 22 de agosto de 2015

Money Jungle (Duke Ellignton, Charles Mingus e Max Roach, 1963)



Money Jungle é um disco do grande pianista Duke Ellington com o baixista Charles Mingus e o baterista Max Roach.

Foi gravado em 17 de Setembro de 1962 e lançado em Fevereiro de 1963 pela United Artists Jazz.

Logo depois do lançamento o disco foi soterrado por boas críticas na época e as únicas poucas críticas negativas giravam em torno da diferença de estilo entre os 3 cavaleiros, muito justificada pelo conflito de geração que havia entre eles. Duke Ellington tinha 63 anos na época enquanto Mingus tinha 40 e Roach 38 anos, um hiato de 20 anos de diferença.

Problemas geracionais à parte, o qual não é nenhum demérito - as poucas críticas negativas estavam notavelmente erradas, milhares de músicos foram influenciados por esse disco, particularmente pela ideia de liberdade de expressão individual que permeava o disco, muito pela ideia do Post-Bop, uma subcategoria do Jazz que foi popular nos anos 60. O Post-Bop é, segundo o musicólogo Jeremy Yudkin, algo entre o Bop e o new Jazz e se caracteriza pela maior liberdade e certa independência rítima entre os músicos durante as sessões.

Entre os músicos que foram influenciados pelo disco temos Lafayette Gilchrist, Jeff "Tain" Watts, Keith Jarrett, Wayne Shorter, Fred Hersch, Matthew Shipp e John Medeski. Músicos de diferentes matizes.

O disco foi premiado na categoria Top Swinging Discs da Jazz Magazine of France em 4 de Abril de 1964. Recebeu 5 estrelas na revista Down Beat de Março de 1963 e críticas altamente positivas na Billboard em 9 de Fevereiro de 1963. A The Penguin Guide to Jazz, uma enciclopédica obra de referência especializada em Jazz, compilada por Richard Cook e Brian Morton, faz grandes elogios ao disco, especialemnte a Charles Mingus que, segundo o guia, "rouba o show".

A ideia do disco partiu de Duke Ellington, que queria fazer um disco com base de piano. Essa ideia foi desenvolvida junto ao produtor da United Artists, Alan Douglas, o qual recebeu uma visita do próprio Ellington em sua casa.
A entrada de Charles Mingus no disco é sugestão de Alan Douglas e Max Roach veio por indicação de Mingus.
Antes disso os músicos não tinham trabalhado em nada juntos. Mingus apenas tocou em uma orquestra de Ellington em 1953, substituindo o baixista oficial. No entanto, Mingus acaba ficando apenas 4 dias junto a orquestra. Mingus, de temperamento forte, acaba brigando com outro músico, o trombonista Juan Tizol e sendo expulso.
Apesar de não tocarem juntos antes o compromisso dos músicos com o trabalho se revela em alguns relatos interessantes. As gravações começaram em uma Segunda-Feira, dia 17 de Setembro de 1962, na Sound Makers em Nova York. A sessão estava marcada para as 13:00. Max Roach chega ao local 12:00 para preparar sua batria e encontra Ellington escrevendo o material.
Há rumores persistentes de confrontos entre os músicos durante a sessão. Especialmente entre Mingus e o baterista Max Roach (que ele mesmo tinha indicado). Conta-se que Mingus uma vez deixou o estúdio no meio da sessão e foi para rua, nervoso, carregando seu baixo. Duke Ellington saiu atrás dele e convenceu-o a retornar.

O disco original tem 7 faixas, 6 compostas por Duke Ellington e uma, Caravan, composta por Juan Tizol (o mesmo que Charles tinha brigado).

A ordem das músicas no disco original e depois nas versões em CD são diferentes.

Seguindo a ordem do disco temos a música Money Jungle como primeira faixa.

Segundo o crítico Thomas Cunnife é importante ouvir as faixas desse disco na ordem em que foram gravadas pois, segundo ele, você consegue ouvir a "tensão sendo construída" entre os músicos, gradativamente. O caso em que Mingus deixa o set acontece, provavelmente, depois dele tocar Money Jungle, que "representa o ápice da tensão interna do grupo, com Mingus arrancando as cordas com as unhas".
Money Jungle abre com fortes notas tocadas por Mingus, enquanto Ellington se junta aos acordes dissonantes. Roach sustenta a música usando os pratos de condução, a caixa e o bumbo. Nos minutos finais da música, a revista Down Beat fez uma observação interessante sobre Mingus, dizendo que ele ataca as cordas com tanta força que faz o som do instrumento parecer algo entre um berimbau e uma guitarra.
Na segunda música, Fleurette Africaine, Charles Mingus impressiona. É uma balada com uma bela base simples de piano, uma percurssão bastante discreta de Roach e uma linha de baixo que parece imitar o bater de asas de uma vespa.
Very Special, a terceira música do disco (e a primeira nas versões em CD), é um Blues improvisado.
Essas três músicas, juntamente com Wing Wise, foram compostas especialmente para o disco.
Em Caravan, música de Juan Tizon, vemos que Ellington toca de uma forma a imitar um som mais orquestral, segundo pesquisas pessoais, utilizando um estilo "Anton Webern" e tocando a melodia em oitavas mais baixas e graves.
Warm Valley e Solitude são baladas onde podemos notar toda química dos músicos concentrados em sua singularidade.

As versões em CD tem mais quatro composições: Switch Blade, Backward Country Boy Blues, REM Blues e A Litlle Max (Parfait); essa última se destaca bastante o baterista Max Roach, que traz uma influência latina interessante na música, enquanto que Switch Blade é um Blues que mostra toda virtuose de Mingus.
Backward Country Boy Blues e REM Blues mostram mais o que os três mosqueteiros podem fazer juntos e Ellington se destaca bastante nelas.

Money Jungle é um disco marcado por caos, tensão e o conflito entre três indivíduos que dissonavam tanto em idade quanto em gênio. Mas que, por algum motivo mágico, acabaram encontrando uma química interna e produzindo um dos discos mais interessantes do Jazz. Nota 10.

Dá para ouvir o disco inteiro aqui:


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A Great Day in Harlem - A foto mais icônica da história do Jazz

A Great Day in Harlem ou Harlem 1958 é um retrato em preto e branco de 57 notáveis ​músicos ​do jazz fotografados na frente de um triplex em Harlem, em Nova York. A foto tem-se mantido um objeto importante no estudo da história do jazz.

Art Kane, um fotógrafo freelance que trabalhava para a Esquire Magazine, tirou a foto em torno 10:00 em 12 de agosto, no verão de 1958. Os músicos se reuniram na 17 East 126th Street, entre a Fifth e Madison Avenues em Harlem.

A Esquire Magazine publicou a foto em sua edição de Janeiro de 1959.

Jean Bach , produtor de rádio de Nova York, contou a história por trás dessa foto em seu documentário de "A Great Day in Harlem", lançado em 1994. O filme foi indicado em 1995 para um Oscar de documentário .

A partir de janeiro 2015, apenas dois dos 57 músicos que participaram ainda estão vivos (Benny Golson e Sonny Rollins).



Presentes na foto: Red Allen, Buster Bailey, Count Basie, Emmett Berry, Art Blakey, Lawrence Brown, Scoville Browne, Buck Clayton, Bill Crump, Vic Dickenson, Roy Eldridge, Art Farmer, Bud Freeman, Dizzy Gillespie, Tyree Glenn, Benny Golson, Sonny Greer, Johnny Griffin, Gigi Gryce ,Coleman Hawkins, J.C. Heard, Jay C. Higginbotham, Milt Hinton, Chubby Jackson, Hilton Jefferson, Osie Johnson, Hank Jones, Jo Jones, Jimmy Jones, Taft Jordan, Max Kaminsky, Gene Krupa, Eddie Locke,Marian McPartland, Charles Mingus, Miff Mole, Thelonious Monk, Gerry Mulligan, Oscar Pettiford, Rudy Powell, Luckey Roberts, Sonny Rollins, Jimmy Rushing, Pee Wee Russell, Sahib Shihab, Horace Silver, Zutty Singleton, Stuff Smith, Rex Stewart, Maxine Sullivan,Joe Thomas, Wilbur Ware, Dickie Wells, George Wettling, Ernie Wilkins, Mary Lou Williams e Lester Young