domingo, 22 de janeiro de 2017

Rory Gallagher - Live in Europe (1972)


Terceiro disco do Rory Gallagher. Trata-se de shows ao vivo gravados entre 5 Fevereiro e 5 de Março de 1972 na Inglaterra, Itália e Alemanha.
O disco contém apenas 2 músicas suas que foram gravadas em albuns anteriores, Laundromat e In Your Town, uma do primeiro e a outra do segundo disco respectivamente. O resto é totalmente composto por canções tradicionais do Blues como Messin' With the Kid de Junior Well's, Pistol Slapper Blues de Blind Boy Fuller e readaptações de canções tradicionais do Blues com arranjos e letras que Rory dedica aos "diretores espirituais" de sua carreira musical. Temos, por exemplo, I Could've Had Religion saudando Robert Wikins e Gary Davis.

Live in Europe não é apenas um disco de Blues, é um disco de homenagem ao Blues - uma carta de amor ao estilo.

Para entender esse disco é necessário entender o contexto da onda British Blues Boom, a onda do "Blues Branco, Inglês e de olhos Azuis" - a melhor "apropriação cultural" que já houve na história da música popular, que pegou o Blues de Chicago de Muddy Waters e o transformou em The Rolling Stones, Eric Clapton, Fleetwood Mac, Yardbirds, Cream e Led Zeppelin.

Rory fazia parte desse movimento e quis nesse disco prestar seu tributo. Os grandes destaques do disco são "I Could've Had Religion", já mencionada acima, Pistol Slapper Blues e Going to My Hometown, duas músicas que ele toca com Bandolim, In Your Town, uma música sua lançada no segundo disco (Deuce) e Bullfrog Blues.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Baden Powell - Poema On Guitar (1968)


Poema on Guitar é o segundo trabalho de Baden Powell pela gravadora alemã Saba e uma espécie de continuação temática do disco anterior, Tristeza on Guitar.
Apesar de ainda termos o dedo do produtor Joachim-Ernst Berendt, a banda que o acompanha está totalmente diferente. Além de Baden Powell no violão, temos Sidney Smith na flauta, Edhard Weber no baixo e Charly Antolini na bateria.

Enquanto no disco anterior tinhamos uma banda composta apenas de brasileiros, nesse temos uma variedade de nacionalidades maior. Temos aqui um brasileiro, um inglês, um alemão e um suíço. Parece até que estou prestes a contar uma piada.

Seja como for, apesar de ainda ser muito bom, é um disco muito mais modesto que o anterior. Destaque para primeira música, "Feitinha pro Poeta".



Baden Powell - Tristeza On Guitar (1966)


Disco lançado em 1966 pelo selo alemão Saba com colaboração do jornalista, escritor e produtor espcializado em Jazz Joachim-Ernst Berendt.

Trata-se de um dos discos responsáveis por consolidar a carreira de Baden Powell na Europa.
Temos Baden Powell no violão, agogô e surdo, Copinha na flauta, Sergio Barroso no baixo, Alfredo Bessa no atabaque e cuíca, Amauri Coelho no pandeiro e atabaque e Milton Banana na bateria.
Uma obra fascinante com 10 músicas incríveis, incluindo uma versão de 'Round About Midnight de Thelonious Monk.

Baden Powell combina Samba Tradicional com Jazz sem transformar isso em "Bossa", e ainda insere elementos de música erudita à-la Bach (bastante perceptível em Invencão Em 7½) de uma forma graciosa, fluida, sentimental e lógica. Servindo muito bem para mostrar um microcosmo sonoro da prolífica carreira de Baden como violonista e arranjador.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Emergency! (1969) - The Tony Williams Lifetime


Emergency! é um disco duplo do power-trio The Tony Williams Lifetime, composto por John McLaughlin nas guitarras, Tony Williams na bateria e vocal e Larry Young no órgão.

O disco foi lançado em 1969 pela Polydor Records e Polygram Records e é considerado um dos primeiros do Jazz Fusion.

Emergency! é um dos mais influentes, originais, prolixos e significativos discos da história, trabalhando com uma ampla gama de gêneros como Funk, Rock Psicodélico, Hard Bop, Blues e Free Jazz.

 Em uma crítica contemporânea para a The Village Voice, Robert Christgau saudou Williams como "provavelmente o melhor baterista do mundo".

O disco foi mais tarde reeditado em CD pela Verve Records e Polygram em 1997.

De acordo com J.D. Considine na The Rolling Stone Album Guide (1992), o Jazz Fusion nasceu em Emergency! onde John McLaughlin foi o primeiro a combinar Jazz e Rock.

Em um review retrospectivo feita para AllMusic, Leo Stanley disse que esse disco "quebrou as fronteiras entre Jazz e Rock" com suas "paisagens sonoras densas, aventureiras e imprevisíveis".

O disco tem um peso histórico e é essencial para quem gosta tanto de Rock quanto de Jazz. Segue o disco para ouvir:

sábado, 31 de dezembro de 2016

Extrapolation (1969) - John McLaughlin


Extrapolation é o primeiro disco do renomado guitarrista de Jazz John McLaughlin.
Gravado na Advision Studios em Londres em 18 de Janeiro de 1969 e lançado primeiramente pela Marmelade Records e posteriormente pela Polydor Records nos EUA, trata-se de um trabalho primoroso que mistura livremente elementos de Jazz-Rock e Blues.
Além de John McLaughlin na guitarra temos Brian Odgers no baixo, Tony Oxley na bateria e, o grande destaque do disco (mais do que o próprio John McLaughlin), John Surman no saxofone. Com solos impressionantes e belas demonstrações de virtuosismo, John Surman se sobressai de uma forma inacreditável, fazendo com que a quase inigualável qualidade do disco seja tanto por causa dele quanto pelo próprio John McLaughlin.

Segue abaixo o disco completo:

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter - A baronesa do Jazz


O quão forte é o poder do Jazz pra fazer com que uma mulher deixe filhos, marido e uma das mais poderosas famílias do mundo (a Rothschild) para ir trás do compositor de uma música que ela ouviu em uma viagem?

Nascida em 1913 em Londres e a filha mais nova de Charles Rothschild e da baronesa Rozsika Edle von Wertheimstein, Kathleen é aristocrata por excelência. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela entrou para o Exército da França Livre, que no momento combatia os nazistas. Foi nessa época que ela conheceu seu marido e teve seus filhos.

Mas não foi nem a guerra, a sua família, o seu nome, o seu marido e nem mesmo seus filhos que marcaram sua vida, foi a música - uma única música. Round Midnight.


Muito se fala de paixão à primeira vista, mas esse é um caso peculiar de paixão à primeira ouvida.

Foi em uma viagem em Nova York que a baronesa de Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter, depois de ouvir um pianista chamado Teddy Wilson tocar a música Round Midnight de Thelonious Monk, resolve dedicar sua vida ao financiamento e à procura do homem que compôs aquilo. Uma única música foi suficiente para Kathleen se tornar, desde aquele dia, a baronesa do Jazz e a patrona do Bepop.

Sua dedicação começa com Thelonious Monk mas não se limita a ele. Ela foi patrona de muitos músicos proeminentes de Jazz como Charlie Parker, Mary Lou Williams e outros.

Seu legado foi deixado, não na aristocracia de sua família (o qual foi deserdada), mas na história da música.
Sao inúmeras composições feitas em sua homenagemm como Nica's Tempo de Gigi Gryce, Nica de Sonny Clark, Nica Dream de  Horace Silve, To Nica de Kenny Dorham's, Blues for Nica de Kenny Drew, Nica Steps Out de Freddie Redd, Inca de Barry Harri, Thelonica de Tommy Flanagan e, talvez a mais significativa, Pannonica de Thelonious Monk, lançado na sua obra-prima Brilliant Corners de 1957.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

The Unique Thelonious Monk (1956) - Thelonious Monk

The Unique Thelonious Monk é um disco de 1956 de Thelonious Monk, seu segundo trabalho com a Riverside Records e, assim como o antecessor (Thelonious Monk Plays Duke Ellingto, que era um disco de Monk tocando músicas de Duke Ellington), este é feito de standards. Trata-se de uma continuação da estratégia de marketing da Riverside Records em trazer ao consumidor o interesse por Thelonious Monk, já que sua música original era considerada "muito difícil" para o mercado de massa. Além de Monk, o disco conta com a presença de Art Blakey na bateria e Oscar Pettiford no baixo. Tanto "Thelonious Monk Plays Duke Ellington" quanto esse disco são feitos especialmente para você ir se ambientando ao estilo de Thelonious Monk. Não há uma única composição dele no disco mas há certamente sua impressão digital. Apesar do disco se propor a ficar numa "zona segura", com temas de fáceis "digestão" para o grande público, nem por isso temos um disco simplório. Já podemos ver a tremenda habilidade de Monk em músicas como Honeysuckle e também de Art Blakey em Liza. Oscar Pettiford, com excessão da música Just You, Just Me, mantém essas duas forças instrumentais de forma discreta porém eficiente. É um ótimo disco para você presentear uma pessoa que está querendo começar a ouvir Jazz. Nada muito cerebral, mas ainda sim excelente.

O disco inteiro pode ser ouvido aqui: