domingo, 19 de abril de 2015

Miles Davis vs. Thelonious Monk (1954)



Em 1954 Miles Davis se junta ao lendário pianista Thelonious Monk e lançam esse EP.
Uma curiosidade, Thelonious e Miles nunca se deram muito bem e surgiu até mesmo um boato que ambos tivessem brigado ao ponto de se agredirem fisicamente, boato que foi desmentido posteriormente por Ira Gitler, um jornalista especializado em música e que acompanhou as gravações.

Fofocas à parte o disco é sensacional. A primeira e a segunda faixa do disco se chama Bag's Groove; a primeira vez tocada numa sessão de 11 minutos e 25 segundos e a outra versão tocada numa sessão de 9 minutos e 24 segundos. Ambas as versões foram gravadas na véspera de Natal do ano de 1954. A primeira versão esteve presente no disco Miles Davis All Stars, Volume 1 e estariam, ambas, também no LP Bag's Groove, lançado no mesmo ano.

Bags era o cognome do vibrafonista Mitt Jackson, que faz uma performance sensacional nessa música. Talvez tão grandiosa quanto a de Miles e Thelonious.

A próxima música, Bemsha Swing, é uma composição de Thelonious Monk e do percursionista Denzil Best (que não está tocando neste disco e sim Kenny Clarke). Ela foi gravada a primeira vez para o Thelonious Monk Trio em 1952. Outra vez o vibrafonista Mitt Jackson se destaca tanto quanto as estrelas do disco.

A próxima faixa é Swing Spring, uma composição de Miles Davis, com grande performance de Thelonious e, novamente, Mitt.

As duas faixas seguintes é The Man I Love, uma composição de George Gershwin e Ira Gershwin. A primeira, uma versão de 10 minutos e 45 segundos e, a segunda, uma versão de 8 minutos e 8 segundos.  Uma música que começa mais lenta, mais voltada para um Blues, de melodia suave e envolvente que depois segue em uma performance mais acelerada, Mitt novamente "mita". Certamente uma das (duas) melhores faixas do disco.

Walkin' Walkin' segue honrando o excelente nível, uma faixa de 13 minutos bem variadas, lembrando um Jazz mais clássico, das Big Bands.

E Blue 'n' Boogie fecha com chave de ouro, com um Jazz super acelerado, dançante. Uma linha de composição que se tornou típica em Miles Davis.



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os 50 melhores discos de Jazz de todos os tempos pela uDiscover

A uDiscover, página dedicada a música, listou os 50 maiores discos de Jazz de todos os tempos.

Segue a lista:

50. Thelonious Monk Genius of Modern Music vol.1 & 2.
49. Count Basie – the Original American Decca Recordings
48. Bud Powell – The Amazing Bud Powell Vo.1
47. Weather Report – Heavy Weather
46. John Coltrane & Thelonious Monk – At Carnegie Hall
45. Horace Silver – Song For My Father
44. Grant Green – Idle Moments
43. Count Basie – The Complete Atomic Basie
42. Hank Mobley – Soul Station
41. Charlie Christian – The Genius of the Electric Guitar
40. Art Pepper meets the Rhythm Section
39. John Coltrane – My Favourite Things
38. Benny Goodman – At Carnegie Hall 1938
37. Wes Montgomery – The incredible Jazz Guitar of Wes Montgomery
36. The Mahavishnu Orchestra With John McLaughlin – Inner Mounting Flame
35. Clifford Brown and Max Roach – Clifford Brown & Max Roach
34. Andrew Hill – Point of Departure
33. Herbie Hancock – Head Hunters
32. Dexter Gordon – Go
31. Sarah Vaughan – With Clifford Brown
30. The Quintet – Jazz at Massey Hall
29. Bill Evans trio – Waltz For Debby
28. Lee Morgan – The Sidewinder
27. Bill Evans – Sunday at the village Vanguard
26. Thelonious Monk – Brilliant Corners
25. Keith Jarrett – the Koln Concert
24. John Coltrane – Giant Steps
23. Herbie Hancock – Maiden Voyage
22. Duke Ellington – Ellington at Newport
21. Cecil Taylor – Unit Structures
20. Charlie Parker – Complete Savoy and Dial Studio recordings
19. Miles Davis – Birth of the Cool
18. Art Blakey & the Jazz Messengers – Moanin’
17. Albert Ayler – Spiritual Unity
16. Eric Dolphy – Out To Lunch
15. Oliver Nelson – The Blues and the Abstract Truth
14. Erroll Garner – Concert By the Sea
13. Wayne Shorter – Speak No Evil
12. Stan Getz & Joao Gilberto – Getz/Gilberto
11. Louis Armstrong – Best of the Hot 5s and 7s
10. John Coltrane – Blue Train
9. Miles Davis – Bitches Brew
8. Sonny Rollins – Saxophone Colossus
7. Cannonball Adderley – Somethin’ Else
6. Charles Mingus – The Black Saint and the Sinner Lady
5. Ornette Coleman – The Shape of Jazz to Come
4. Charles Mingus – Mingus Ah Um
3. Dave Brubeck Quartet – Time Out
2. John Coltrane – A Love Supreme
1. Miles Davis – Kind of Blue

Miles Davis - Live At The Isle Of Wight Festival

Show realizado no Isle of Wight Festival,  um festival musical que acontece anualmente na Ilha de Wight, Inglaterra. Nesse mesmo ano no festival apresentaram The Who, Jimi Hendrix, Emerson Lake and Palmer, Moody Blues, Jethro Tull, Leonard Cohen. Também se apresentaram Gilberto Gil e Caetano Veloso (pra quem gosta é bom) que estavam exilados na Europa esse ano.

A apresentação é Miles Davis no trompete, Gary Bartz no sax tenor e soprano, Chick Corea no piano elétrico, Keith Jarret sorridente no órgão elétrico, Dave Holland no baixo elétrico, Jack DeJohnette na bateria e Airto Moreira na percussão e cuíca.

Divirtam-se


sábado, 27 de dezembro de 2014

Miles Davis with Sonny Rollins (1954)



Miles Davis with Sonny Rollings é um LP lançado em 1954 pela Prestige Records e gravado em Nova Jersey, no estúdio particular de Rudy Van Gelder, um engenheiro de som especializado em jazz. É um daqueles discos que se tornaram um marco na história do Jazz, sem dúvida.

O disco é tocado pelo quinteto; Miles Davis no trompete, Sonny Rollins no sax tenor, Horace Silver no piano, Percy  Heath no baixo e Kenny Clarke na bateria.

Esse disco lança, como uma catapulta, a carreira de Sony Rollins. Três das quatro músicas são composições próprias do saxofonista, Airegin, Oleo e Doxy. Em sua autobiografia, Davis diz que Rollins estava escrevendo as músicas em pedaços de papel no estúdio durante as sessões de gravação dos discos anteriores.

A única música que não é de Sony Rollins nesse disco é But Not for Me, uma composição de George Gershwin e Ira Gershwin, e que está presente no disco em 2 diferentes versões.

As músicas desse disco se tornaram um sucesso.

A primeira música, Airegin, é considerada um "Jazz Standard". Um standard é um tema de jazz que é amplamente conhecido, e que por isso se torna parte do repertório básico de muitos jazzistas.

Ela foi gravada novamente por Miles Davis no Cookin' with the Miles Davis Quintet de 1956. Em 1960 foi gravada pelo guitarrista Wes Montgomery no seu disco The Incredible Jazz Guitar of Wes Montgomery (também com Percy Heath no baixo). Outro guitarrista de Jazz que também gravou a música foi Grant Green, em seu disco Nigeria, de 1962. Uma versão com letra composta por Jon Hendricks apareceu em 1958, interpretada pelos trio vocal Lambert, Hendricks & Ross no álbum The Swingers! e em 1985 no disco Vocalese do The Manhattan Transfer. Hubert Laws, um grande flautista de Jazz, juntamente com o lendário baterista Steve Gadd, gravou essa composição duas vezes, uma em 1964 no disco Color Him Wild e outra em 1977 no disco New Vintage. Uma outra versão dessa música também foi gravada por Sonny Stitt (lendário saxofonista) e pelo organista Don Patterson no disco Prestige Funk You! de 1969.

A segunda faixa do disco, Oleo, também não fica atrás. Ela apareceu em diversos repertórios posteriores de Miles Davis. Podemos destacar a execução dela ao vivo em 1958 junto com John Coltrane, no famoso 1958 Miles e, novamente em 1973 no Jazz at the Plaza (também com Coltrane).
Outros artistas que fizeram gravações notáveis da peça incluem Bill Evans, Eric Dolphy, Lee Konitz, Jeff Sipe, Pat Martino, e Larry Coryell.

But Not for Me é uma canção popular, também muito conhecida.
Ela foi escrita para o musical Girl Crazy, de 1930.
A música já esteve presente no filme Manhattan, de Woody Allen, 1979, e também no filme Harry e Sally - Feitos um para o outro, 1989, do diretor Rob Reiner. Também já foi gravada por gente de nível, como Billie Holiday, Chet Baker, Sammy Davis Jr., Frank Sinatra, Judy Garland e Sarah Vaughan.
As duas versões de Miles e Sonny Rollins presentes neste disco mostra todo entrosamento do quinteto e todo swingado que lhes é particular.

Doxy, a última música do disco, tornou-se também um Standard. Ela foi escrita por Sonny Rollins durante sua escala na Inglaterra em uma turnê européia.

Resumindo, o disco mostra as habilidades musicais e de composição de Sonny Rollins, e evidencia bem por que ele era o saxofonista preferido de Miles Davis.

Miles Davis não apenas atuou no Jazz como grande músico, mas também um grande descobridor de talentos.



sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Miles Davis - Blue Period (1953)

Blue Period é o segundo LP de Miles Davis pela Prestige Records, com alguns músicas gravadas em 1951 na Apex Studio em Nova York.

"Bluing" e "Out of the Blue", duas composições de Miles Davis, foram gravadas em Outubro de 1951, numa mesma sessão, para o material do primeiro álbum oficial, o excelente The New Sounds.

"Blue Room" é uma musica composta pela dupla dinâmica Rodgers e Hart, e foi gravada anteriormente para o LP Modern Jazz Trumpets. Algumas prensagens deste mesmo disco você encontrará duas versões da música Blue Room, Take 1 e Take 2.

Participam do disco Miles Davis no trompete, Jackie McLean no sax alto, Sonny Rollins no sax tenor, Walter Bishop Jr. no piano, Tommy Potter no contrabaixo e Art Blakey na bateria.

Na música Blue Room o cast é Miles Davis no trompete, Sonny Rollins no sax tenor, John Lewis no piano, Percy Heath no contrabaixo e Roy Haynes na bateria.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Miles Davis - Quartet (1953/1954)

Miles Davis Quartet, ou simplesmente Quartet, é um disco lançado em 1954 pela Prestige Records.
São gravações dos anos 1953 e 1954.
As primeiras quatro faixas que formam o Lado A do disco foram gravadas em 1953 e as 3 últimas faixas em 1954, todas na Beltone Studios em Nova York, mesmo local de gravação do Miles Davis and Horns posteriormente em 1956, lugar que Miles apreciava bastante.

Nessa fase Miles Davis estava deixando de lado seu vício em heroína.

O cast do disco é fenomenal. Não trata apenas de 1 quarteto, são combinações que Miles fez durante as gravações entre 1953 e 1954.

Miles obviamente está presente em todas as formações com o Trompete.

As faixas "When Lights Are Low" (de Benny Carter e Spencer Williams), Turn Up (de Miles Davis) e Miles Ahead (de Miles Davis e Gil Evans) são tocadas por John Lewis nos pianos, Percy Heath no baixo e Max Roach na bateria.
A faixa Smooch (uma composição de Miles Davis e Charles Mingus) são tocadas por Percy Heath no baixo, Charles Mingus no piano e Max Roach na bateria.

O lado B tem uma formação mais uniforme.
As músicas Four (Miles Davis), Old Devil Moon (Burton Lane e E.Y. Harburg) e Blue Haze (Miles) são tocadas pelo quarteto formado por Miles (trompete), Horace Silver (piano), Percy Heath (baixo) e o lendário baterista Art Blakey.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Buddy & The Juniors - Buddy Guy (1970)


Lançado em 1970 Buddy & The Juniors é o que podemos chamar de ontológico.
As músicas ao longo de todo disco seguem sempre com no máximo 3 instrumentos ao mesmo tempo, nada mais do que isso (e nem precisa).
Intimista, Buddy Guy se junta com os "Juniors", Junior Mance e Junior Wells, para tocar um Blues e é só isso. O que esse disco tem de simples tem de envolvente e viciante.
Logo na primeira faixa você nota o clima de descontração entre os 3 cavaleiros, Talkin' 'Bout Women Obviously, tem coisa melhor para começar um assunto (especialmente os musicais) do que "falar sobre mulheres, obviamente". A música é quase toda tocada com violão e acompanhamento da gaita de Junior Mance, que dá o tom nas músicas.
Riffin', a segunda faixa, mostra toda a criatividade de Buddy Guy em desenhar linhas belíssimas em seu violão.
O disco segue com Buddy Blues e escancara por que Junior Wells é considerado um dos maiores pianistas do Jazz.
A quarta faixa é uma versão muito bem executada de uma das maiores músicas do Blues, Hoochie Coochie Man de Willie Dixon.
A quinta faixa, Five Years, com um andamento mais lento, conseguimos notar o entrosamento perfeito entre as cordas de Buddy, o piano de Wells e a melodiosa gaita de Mance.
Rock Mama, uma ótima música onde percebemos com mais clareza os acordes de Buddy e a gaita de Mance, que torna-se mais estridente.
O disco termina com a dançante Ain't No Need, num clima de confraternização total.
Trata-se de um disco minimalista, com poucos instrumentos e totalmente envolvido num clima de "vamos tocar lá em casa", como uma Jam Session entre velhos amigos.